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EXPOSIÇÃO PÓS-NEW

Pós New Fotografia reúne um conjunto de imagens em preto e branco que revisitam o espírito da “new photography” a partir de uma perspectiva contemporânea. A série articula retrato, arquitetura e cena urbana, explorando contrastes intensos, enquadramentos precisos e experimentações com luz, movimento e longa exposição.

Ao dialogar com a tradição moderna — marcada pela valorização da forma, da geometria e da experiência urbana — o trabalho propõe uma atualização crítica desse legado, incorporando a espontaneidade do instante e a dimensão performativa do corpo no espaço público. Pós New Fotografia afirma a fotografia como campo expandido entre documento, expressão autoral e investigação formal.

Pós New Fotografia

Um romance fotográfico de uma Brasília que virou a capital verdadeira do Brasil. 

Havia um tempo em que se vivia na cidade um sentimento quase infantil: o de descoberta das possibilidades da imagem fotográfica com registros da cena musical e artística de Brasília. Foi nesse tempo, nos cada vez mais longínquos anos 1980, que surgiu a agência Pós-New, fundada pelos fotógrafos Nick Elmoor e Ricardo Junqueira. 

Brasília, a cidade que fora sonhada por Dom Bosco e inventada por Lucio Costa virou um marco na história do Brasil. O modernismo das elegantes linhas de Niemeyer em contraponto com o céu mais lindo do mundo também foram determinantes para aqui nascer manifestações culturais que ajudaram a plantar definitivamente, no planalto central, a capital do país. Bandas como Legião Urbana, Plebe Rude, Cinco Generais, Arte no Escuro, Peter Perfeito... mudaram o panorama musical brasileiro e suas letras fortes e cheias de identificação com os jovens brasileiros nos fez sermos menos dependentes da cultura pop internacional. Nesse momento, cada vez mais, poemas brasileiros eram cantados por brasileiros. Renato Russo, certamente, tocava o coração e a alma da gente, muito mais que os Beatles ou Bob Dylan. Enfim, grandes artistas que eram como todo mundo, sem aquele ar distante de uma arte quase arrogante de João Gilberto ou Chico Buarque. 

Nasceu em Brasília a Geração Coca Cola, que sabia que Eduardo e Mônica podiam ser os amigos da quadra, que compreendiam as metáforas de Faroeste Caboclo, que se emocinavam com o Tempo Perdido e enchiam seus pulmões para cantar que o Concreto da Rachou. Nessa época, alguém tinha que registrar esse movimento com um olhar íntimo, assim de nove entre 10 bandas brasilienses passaram pelas lentes da dupla. Mais: Elmoor e Junqueira fizeram também campanhas publicitárias, transformaram os amigos em modelos, utilizaram as ruas como estúdio. Experimentaram muito e se divertiram na mesma proporção.

Essa história de som e luz ficou impressa em milhares de negativos, que, após mais de 30 anos de gaveta por conta da diversificação das atividades profissionais da dupla, começam a sair do limbo. “Sinceramente, acho que temos um tesouro em nossos arquivos”, explicou Nick Elmoor, em uma entrevista em 2009. “Estamos descobrindo um monte de coisas sobre o nosso jeito de fotografar e como foi bom ter vivido esse período”, destacou Junqueira, na mesma entrevista ao Correio Braziliense.

A ideia da dupla é reunir as imagens mais expressivas da época em livro e exposição a tempo de celebrar os 60 anos de Brasília. Um material guardado cuidadosamente e praticamente 100% inédito, um registro verdadeiramente orgânico de uma época incrível na história de Brasília. 

“Sendo tão nova como cidade, Brasília deve se orgulhar de cada momento que viveu. E poucos momentos da cidade foram tão significativos como esse período. Fizemos nosso registro, um trabalho honesto e despretensioso. A cidade vai ficar orgulhosa de poder rever”, aposta Elmoor. “Estamos vendo que tínhamos um trabalho maior que imaginávamos. Muitas fotos que na época passaram despercebidas por nós e na verdade são bastante interessantes”, comenta Junqueira. 

Quase todas as fotografias são em preto e branco, opção estética e econômica da dupla. Eles mesmos revelavam e ampliavam as cópias, processo artesanal praticamente em extinção após a chegada dos equipamentos digitais. Elmoor destaca a “fome de experimentar” em todas as etapas do processo: para isso, valia utilizar filmes vencidos, luz de poste, de faróis de carro, tudo o que estava à mão. Junqueira e Elmoor ressaltam que o arquivo não contém apenas registros de shows e ensaios com bandas de rock. “Fotografávamos as bandas, as pessoas da própria turma, do teatro, a arquitetura da cidade, tudo feito por jovens brasilienses, que entendiam os jovens do país, afinal cada um de nós trouxe um pouco do Brasil ao virmos para Brasília com nossas famílias”. 

São milhares de negativos, com algumas centenas devidamente editadas e escaneadas, prontas para serem publicadas, um documento histórico inédito que reforça a importância de Brasília na formação cultural do país.  Next >

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