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EXPOSIÇÃO
MEMÓRIA

Sobre Fotografia e Memória
Ensaio distinguido com o XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia - 2010.
Sobre Fotografia e Memória investiga a relação entre imagem, tempo e confiabilidade. A partir da deterioração deliberadamente evidenciada de fotografias, o ensaio questiona a ideia da fotografia como registro fiel da realidade e guardiã da história. Assim como a memória humana se transforma, esmaece e se reorganiza ao longo do tempo, também a imagem fotográfica revela suas fragilidades, suas lacunas e sua instabilidade interpretativa.
O trabalho surge em um contexto de profunda transformação do fazer fotográfico — da materialidade físico-química do processo analógico à lógica eletrônico-digital e binária. Essa mudança radical altera não apenas os procedimentos técnicos, mas também nossa forma de ler, produzir e confiar nas imagens. Em um cenário onde fotografias podem ser manipuladas ou inteiramente fabricadas, a noção de verdade visual torna-se cada vez mais complexa.
As imagens apresentadas foram produzidas a partir da digitalização de negativos coloridos realizados anos antes. O processo explora ruídos causados pelo tempo — fungos, manchas, marcas de armazenamento e deterioração química — intensificados pelas características da captura digital. A degradação deixa de ser falha e torna-se linguagem.
A pesquisa se desdobra ainda na reflexão sobre o que o artista denomina “memória software” ou “memória app”: em uma era de arquivos digitais excessivamente limpos e organizados, por que buscamos reintroduzir ruídos e marcas do tempo em imagens recentes? Trata-se apenas de uma escolha estética ou de uma necessidade de reinscrever humanidade em sistemas cada vez mais automatizados? Ao delegarmos à tecnologia a organização do que devemos lembrar, somos levados a questionar também a confiabilidade dessas novas linhas do tempo.

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